Vila do Conde

O município de Vila do Conde integra o Distrito do Porto e localiza-se no noroeste de Portugal, aproximadamente a 20 Km da cidade do Porto. É limitado a oeste pelo oceano Atlântico e confronta com os seguintes municípios: Póvoa de Varzim a Norte, Vila Nova de Famalicão e Trofa a Este e, Maia e Matosinhos a Sul. Em termos de acessibilidades rodoviárias, Vila do Conde é servido pela Autoestrada do Litoral Norte A28, pelas Estradas Nacionais 13, bem como pelo sistema de transporte ferroviário da Área Metropolitana do Porto - METRO.Do ponto de vista da paisagem, o concelho de Vila do Conde detém uma frente litoral atlântica constituída por praias e cordões dunares. A estas sucede-se e entrelaça-se uma estrutura agrícola minifundiária, onde culturas agrícolas, matas, linhas de água, aglomerados rurais e assentos de lavoura, compõem um mosaico rural que faz emergir um relevante e singular património paisagístico, resultante de um ancestral e contínuo processo de interação do Homem com o Meio.

O povoado de Vila do Conde remonta a épocas anteriores à fundação da Nacionalidade e o seu topónimo manteve-se inalterado até aos nossos dias. A primeira referência escrita alusiva a Vila do Conde (villa de comite) data de 953, e surge num documento de doação feito por Flâmula deo vota ao Mosteiro de Guimarães. O pequeno burgo desenvolveu-se sobranceiro ao rio Ave e nas cercanias do antigo Castro de S. João. Neste local, em 1318, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins fundaram o Mosteiro dedicado a Santa Clara (Miranda, 1998), monumento que, restaurado e ampliado no século XVIII, é ainda hoje um dos ex-libris de Vila do Conde.

No século XV, com o advento das Descobertas, Vila do Conde torna-se num importante entreposto comercial na região, devido ao seu porto e à sua alfândega bem como ao incremento da construção naval requerida pela grande epopeia marítima dos portugueses de Quinhentos.

A passagem de D. Manuel por Vila do Conde, em 1502, foi outro acontecimento marcante para a Vila, de particular importância para a construção da Igreja Matriz, da Praça Nova e dos Paços do Concelho, conferindo uma nova centralidade à localidade. Na época, registava-se uma intensa atividade comercial e social, a qual influenciou toda uma estrutura urbana que se foi orientando no sentido da zona ribeirinha.

Com o prosseguir dos tempos, a cidade tradicional vai-se expandindo e modernizando, e, nos finais do século XIX, começa a surgir uma nova configuração urbana inspirada/contagiada pelo ideal da Regeneração. Esta “renovação” veio contagiar o conceito de urbanismo da época e, à luz desse novo paradigma, assiste-se à melhoria das condições viárias, estéticas e ambientais da urbe. Projetam-se para Vila do Conde novos espaços públicos, nomeadamente, parques e jardins, e rompem-se novas artérias que orientam e aproximam a urbe do mar, colocando Vila do Conde na linha da frente das praias modernas e procuradas por muitas famílias “aristocráticas” de todo o país.

No processo de expansão em curso, no último quartel do século XIX é planeado o primeiro grande espaço ajardinado de Vila do Conde: o Jardim Júlio Graça. A sua configuração reflete, embora de forma ainda ténue, as correntes culturais da época, e pode ser reconhecido como uma reminiscência do Passeio Público.

Ao longo de todo o século XIX o gosto pelos espaços abertos foi-se acentuando e a partir do início do séc. XX, um conjunto de pequenos espaços públicos, dedicados ao comércio ao ar livre, foram sendo sucessivamente “ajardinados” e/ou arborizados.

Na década de 80 do século XX, acentuam-se as reflexões e as inquietações sobre o património cultural e emergem processos de reconhecimento e valorização dos centros históricos de forma a tornar estas zonas da cidade mais atrativas. Em Vila do Conde, enceta-se um novo e longo processo de regeneração urbana e valorização ambiental, sendo requalificados muitos edifícios históricos, ruas, praças e jardins, nomeadamente, a Praça Nova/Praça Vasco da Gama, a Praça de S. João e o Largo do Carmo.

Com adesão de Portugal à CEE em 1986, a chegada dos primeiros fundos comunitários e sobretudo a partir da conferência do Rio 92, as comunidades evidenciam preocupações ambientais acrescidas e as políticas de ambiente, nomeadamente o planeamento ambiental e a valorização dos espaços abertos, passam a ser determinantes na estratégia de desenvolvimento concelhio, e no desenho urbano. Nesse período, o município de Vila do Conde concretizou um vasto conjunto de infraestruturas verdes, das quais destacamos as requalificações ambientais e paisagísticas do centro da Cidade, das frentes Marítima e Ribeirinha, a que se associaram, muito recentemente, as intervenções no canal do Metro, assim como a arborização de ruas e avenidas e o ajardinamento de pequenos espaços remanescentes, cuja função consiste em permitir uma melhor integração e valorização ambiental.

A evolução da cidade tradicional, com as suas heranças e valores, para a cidade contemporânea, com as suas novas premissas sociais, ambientais e ecológicas, permitiu o desenvolvimento de um território urbano provido de mais de cinquenta hectares de parques e jardins públicos. Estes, no seu conjunto, desempenham funções estéticas e ecológicas, suportam muitas atividades de recreio e lazer e criam condições de bem-estar físico e psicológico às populações.

Em termos de Estrutura Verde Descontínua, a promoção de espaços verdes levada a cabo na cidade de Vila do Conde, nos últimos trinta anos, permite que cada munícipe usufrua, em média, de cerca de 8m2 de área verde. A continuação deste esforço de promoção dos espaços verdes levar-nos-á, inexoravelmente, à criação de um “continuum naturale”, vivificador de toda a estrutura urbana, com ligação natural ao rio e ao espaço rural envolvente.